Maria Eduarda
Maria Eduarda, fisicamente era uma bela mulher: alta, cabelo loiros espesso e ondulado, bem feita, sensual e delicada, "com um passo soberano de deusa", é "flor de uma civilização superior, faz relevo nesta multidão de mulheres miudinhas e morenas", era bastante simples na maneira de vestir, "divinamente bela, quase sempre de escuro, com um curto decote onde resplandecia o incomparável esplendor do seu colo"; psicologicamente, podemos verificar que Maria Eduarda nunca é criticada, é uma personagem delineada em poucos traços, o seu passado é quase desconhecido o que contribui para o aumento e encanto que a envolve. A sua caracterização é feita através do contraste entre si e as outras personagens femininas, e ao mesmo tempo, chega-nos através do ponto de vista de Carlos da Maia, para quem tudo o que viesse de Maria Eduarda era perfeito, "Maria Eduarda! Era a primeira vez em que Carlos ouvia o nome dela; pareceu-lhe perfeito, condizendo bem com a sua beleza serena."
Maria Eduarda é sempre apresentada ao leitor como uma "deusa transviada", como um ser superior que se destaca no meio das mulheres lisboetas. Maria Eduarda encarna a heroína romântica, perseguida pela vida e pelo destino, mas que acaba por encontrar, ainda que momentaneamente, a razão da sua vida, na paixão e no amor. Ela é também vítima do seu passado, das circunstâncias em que cresceu e viveu (bem ao jeito naturalista), mas o facto de ser a própria personagem a narrar o seu percurso omitindo, logicamente, aquilo que não sabe, e referindo o seu passado após o leitor já ter conhecimento do seu presente, afasta Maria Eduarda de alguns dos preceitos estruturais do Naturalismo.
Dâmaso
Dandy, nascido na burguesia, arvora-se ares de chique e conquistador. Vive a propagandear suas conquistas amorosas, apesar de muitas vezes estas serem maiores do que a realidade. Personagem fofoqueiro e afeito a intrigas, mostra sua face mais nojenta ao se sentir rejeitado pela personagem principal, Carlos da Maia.
Tem uma excitante aparição no sarau de angariação de fundos para as vítimas de cheias (Capítulo XVI), em que recitando um poema que clama a democracia, seus males e bens, e incita os políticos lá presentes, sendo estes os únicos a não apreciarem a sua actuação.
Embora secundária, é uma personagem extremamente importante. É por uma carta dele que Afonso da Maia toma conhecimento de que a nora, Maria de Monforte se encontra em Paris e é também ele que, instado, informa que Maria de Monforte tinha, no seu «boudoir» um retrato de criança que diz a Alecar ser da filha, que morreu em Londres. Tanto Alencar como Afonso da Maia partem do princípio de que trata da filha mais velha. Afonso da Maia presume assim que a neta morreu.
Caracterização Física Tomás de Alencar era "muito alto, com uma face encaveirada, olhos encovados, e sob o nariz aquilino, longos, espessos, românticos bigodes grisalhos". Caracterização Psicológica Era calvo, em toda a sua pessoa "havia alguma coisa de antiquado, de artificial e de lúgubre". Simboliza o romantismo piegas. O paladino da moral. Era também o companheiro e amigo de Pedro da Maia. Eça serve-se desta personagens para construir discussões de escola, entre naturalistas e românticos, numa versão caricatural da Questão Coimbrã. Não tem defeitos e possui um coração grande e generoso. É o poeta do ultra-romantismo.
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