quinta-feira, 2 de junho de 2011

Descrição de algumas personagens em Os Maias




Maria Eduarda

Maria Eduarda, fisicamente era uma bela mulher: alta, cabelo loiros espesso e ondulado, bem feita, sensual e delicada, "com um passo soberano de deusa", é "flor de uma civilização superior, faz relevo nesta multidão de mulheres miudinhas e morenas", era bastante simples na maneira de vestir, "divinamente bela, quase sempre de escuro, com um curto decote onde resplandecia o incomparável esplendor do seu colo"; psicologicamente, podemos verificar que Maria Eduarda nunca é criticada, é uma personagem delineada em poucos traços, o seu passado é quase desconhecido o que contribui para o aumento e encanto que a envolve. A sua caracterização é feita através do contraste entre si e as outras personagens femininas, e ao mesmo tempo, chega-nos através do ponto de vista de Carlos da Maia, para quem tudo o que viesse de Maria Eduarda era perfeito, "Maria Eduarda! Era a primeira vez em que Carlos ouvia o nome dela; pareceu-lhe perfeito, condizendo bem com a sua beleza serena."

Maria Eduarda é sempre apresentada ao leitor como uma "deusa transviada", como um ser superior que se destaca no meio das mulheres lisboetas. Maria Eduarda encarna a heroína romântica, perseguida pela vida e pelo destino, mas que acaba por encontrar, ainda que momentaneamente, a razão da sua vida, na paixão e no amor. Ela é também vítima do seu passado, das circunstâncias em que cresceu e viveu (bem ao jeito naturalista), mas o facto de ser a própria personagem a narrar o seu percurso omitindo, logicamente, aquilo que não sabe, e referindo o seu passado após o leitor já ter conhecimento do seu presente, afasta Maria Eduarda de alguns dos preceitos estruturais do Naturalismo.


Dâmaso

É caracterizado fisicamente como baixo e gordo. Era sobrinho de Guimarães, sendo a ele e ao seu tio que se devem, respectivamente, o início e o fim dos amores de Carlos com Maria Eduarda. Psicologicamente, é uma súmula de defeitos filho de um agiota, comportando-se com presunção, cobardice e sem dignidade. É da sua autoria a carta anónima enviada a Castro Gomes, carta a qual revela o envolvimento de Maria Eduarda com Carlos. É dele também, a notícia contra Carlos publicada na A Corneta do Diabo. Mesquinho, mentiroso e convencido, provinciano e tacanho, tem como única preocupação na vida o "chic a valer". Representa o novo-riquismo e os vícios da Lisboa da segunda metade do século XIX. O seu carácter é tão baixo que se retrata, a si próprio, como um bêbado, só para evitar bater-se em duelo com Carlos. É apresentado a este por João da Ega que o havia conhecido anteriormente, pois Dâmaso, sendo amigo íntimo dos Cohen, poderia ser útil a Ega, numa altura em que o poeta mantinha o seu romance com Raquel Cohen.

Dandy, nascido na burguesia, arvora-se ares de chique e conquistador. Vive a propagandear suas conquistas amorosas, apesar de muitas vezes estas serem maiores do que a realidade. Personagem fofoqueiro e afeito a intrigas, mostra sua face mais nojenta ao se sentir rejeitado pela personagem principal, Carlos da Maia.


Alencar

É amigo de Pedro da Maia, tendo mais tarde tornado-se, também, amigo de seu filho, Carlos da Maia. Falso moralista e incoerente, que acha o Realismo e o Naturalismo imorais, é defasado do seu tempo e defensor da crítica literária de natureza acadêmica, preocupando-se, pois, com os aspectos formais e o plágio em detrimento da dimensão temática.

Tem uma excitante aparição no sarau de angariação de fundos para as vítimas de cheias (Capítulo XVI), em que recitando um poema que clama a democracia, seus males e bens, e incita os políticos lá presentes, sendo estes os únicos a não apreciarem a sua actuação.

Embora secundária, é uma personagem extremamente importante. É por uma carta dele que Afonso da Maia toma conhecimento de que a nora, Maria de Monforte se encontra em Paris e é também ele que, instado, informa que Maria de Monforte tinha, no seu «boudoir» um retrato de criança que diz a Alecar ser da filha, que morreu em Londres. Tanto Alencar como Afonso da Maia partem do princípio de que trata da filha mais velha. Afonso da Maia presume assim que a neta morreu.

Caracterização Física Tomás de Alencar era "muito alto, com uma face encaveirada, olhos encovados, e sob o nariz aquilino, longos, espessos, românticos bigodes grisalhos". Caracterização Psicológica Era calvo, em toda a sua pessoa "havia alguma coisa de antiquado, de artificial e de lúgubre". Simboliza o romantismo piegas. O paladino da moral. Era também o companheiro e amigo de Pedro da Maia. Eça serve-se desta personagens para construir discussões de escola, entre naturalistas e românticos, numa versão caricatural da Questão Coimbrã. Não tem defeitos e possui um coração grande e generoso. É o poeta do ultra-romantismo.


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